terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Um dia de cada vez.

Gostando do blog atualizado? Eu estou amando finalmente dar um destino para os muitos posts que eu tinha nos rascunhos... :p





Alexi era uma menina como todas as outras, mas em determinada noite algo lhe aconteceu e tudo mudou. Desde então ela busca sufocar sua dor emocional com a dor física, se arranhando.
Bodee nunca foi como os outros, mas se tornou ainda mais diferente. Antes conhecido como o "Garoto Ki-Suco", agora nomeado o "Garoto que o pai matou a mãe".
Quando Bodee vai passar um tempo na casa de Alexi os dois descobrem que podem se apoiar um no outro. Que juntos quase fica mais leve a história viver de um dia de cada vez...




Talvez exista alguma coisa entre mim e Bodee. Só que eu não sei o que é. (Pág 26).

Quando terminei a leitura de Um dia de cada vez estava encantada, mas não sabia dizer exatamente o porquê. Não é um livro fofo, não é um drama absurdo, não é um romance avassalador ou de partir o coração... O quê, então, tinha me agradado tanto na leitura? Fiquei me perguntando isso por um tempo e só então percebi o diferencial (que está quase escondido no livro): personagens únicos e com muita carga emocional. Alexi e Bodee são personagens totalmente novos para mim. Posso já ter encontrado características ou situações parecidas em outros livros, mas nada como o que encontrei aqui: algo tão carregado que é quase pesado de ler, quase machuca e te faz querer chorar a cada página. É triste, é doloroso e parecia que a autora tinha cravado uma faca em mim nas primeiras páginas e nas seguintes ela só ia revirando a lâmina, machucando cada vez mais.

Essa é uma mudança definitiva. Eu nunca entendi que a vida pudesse ser tão drasticamente dividida, mas pode. E é. Só existe o depois. E o antes. (Pág 8).


Quando o li, estava passando por uma situação pessoal bem difícil e acho que isso pode ter influenciado o quanto eu senti e me aproximei desses personagens, mas não consigo me convencer que tudo o que senti foi resultado da minha experiência apenas. A autora tem muito a nos dizer neste livro. Muito a nos falar sobre a sociedade, sobre impunidade, sobre dores, perdas, medos e julgamentos. Seus personagens são pessoas que sofreram crueldades absurdas, que veem suas perdas a todo momento e, principalmente, são julgados por quem não os compreende. Alexi e Bodee começam a se entender justamente por isso, por não julgarem um ao outro. Cansados da forma como são tratados pelos outros, quando estão juntos eles dispensam essas patifarias e são apenas Alexi e Bodee, dois adolescentes que estão destruídos.

Enquanto fico parada ali, sem abraçá-lo, penso que, se fôssemos adolescentes normais, provavelmente nos agarraríamos e soltaríamos suspiros. E deixaríamos nossas mãos passearem até acabarmos ficando por uma tarde transando antes do jantar. E nunca mais tocaríamos no assunto.
Mas não somos normais. (Pág 51).


Com uma narrativa rápida mas complexa e carregada de sentimentos, emoções e conflitos psicológicos, a autora consegue nos levar para dentro da cabeça de Alexi - a narradora - e te fazer entender as atitudes e falas de Bodee mesmo sem saber o que se passa em sua cabeça. Os dois, apesar de estarem por ali, irem para a escola e conversarem, vivem em seus próprios mundos, com suas próprias regras e inimigos. E o mais estranho é que ninguém parece notar, ninguém consegue enxergar nada de diferente neles. Dizem que Bodee está triste por sua mãe, vivendo o luto. Mas não parecem perceber que antes daquela tragédia, ele já não estava bem. A vida de Alexi mudou completamente em uma única noite, mas estranhamente ninguém reparou também. Eles estão sozinhos mesmo quando estão na multidão e o mais incrível é que a autora consegue passar isso, colocar todos esses dramas no papel.

[...] não podem comprar um guarda roupas novo para ele ou cortar seu cabelo e fazer tudo ficar bem. A mãe dele morreu. o pai dele matou a mãe. Não importa o quanto vocês queiram, não existe uma cura mágica para fazer isso tudo desaparecer. Às vezes, a vida simplesmente é um saco. [...] Ele não precisa ser consertado. (Pág 49/50).


Infelizmente a editora não fez um ótimo trabalho no momento da tradução e revisão do livro, pois deixou palavras faltando em algumas frases e esses erros dificultam o entendimento de algumas cenas. Portanto não posso dizer que ele é perfeito. Ao menos a minha edição não é. Espero que a editora revise novamente e o relance - mas mantenha a capa, que é totalmente perfeita. E, principalmente, que lancem os demais livros da série - se não me engano, são três. De resto, só tenho recomendações para que todos conheçam Alexi e Bodee e aprendam que muitas vezes o que está acontecendo não é só aquilo que estamos vendo. Que entendam que nossas atitudes machucam os outros e a falta de atenção deixa que os machucados inflamem, infeccionem e se transformem em algo maior, quase irremediável. Foi um dos melhores livros de 2015, mas também um dos melhores da vida.

É quase irritante. Ninguém deveria passar por uma tragédia como um surfista profissional enquanto eu me afogo. (Pág 70).

PS: No final do livro tem uma nota da autora, falando sobre o tema do livro. Ali eu também chorei.

Sobre a autora:

Courtney C. Stevens cresceu em Kentucky e mora em Nashville, Tennessee. Ela é professora adjunta, já foi membro da Pastoral da Juventude e portadora da Tocha Olímpica. Suas habilidades incluem brincar de esconde-esconde e subir em árvores. Um dia de cada vez é seu romance de estreia.

Outras informações:
Compare o preço: Buscapé.
História: 5/5.
Narrativa: 5/5.