segunda-feira, 16 de junho de 2014

A culpa é das estrelas.

A ideia inicial era postar esta resenha no dia da estreia do filme, o que não aconteceu por motivos de: sou atrapalhada e decidi fazer um monte de coisas ao mesmo tempo e a resenha ficou para depois.
Então aqui está ela, um pouquinho atrasada, mas ainda assim, toda emocionada. :D

Hazel Grace é uma adolescente que leva uma vida bem diferente dos demais. Paciente terminal, anda com um cilindro de oxigênio, não pode fazer esforço e vive, literalmente, esperando o dia (não muito longe) em que tudo irá se findar para ela.
Augustus Waters é outro adolescente que leva a vida de forma diferente. Foi diagnosticado com câncer, tratado e curado, mas a doença deixou marcas e garantiu que elas não se apagariam do corpo e da memória de Augustus.
Os dois se conhecem em um grupo de apoio aos pacientes de câncer e, juntos, começam a escrever uma nova história para seus dias, ainda que poucos. Uma história de amor, esperança, realidade e inevitabilidade.


Depois de muito ouvir falar em Hazel, Augustus, infinitos, perfeição e estrelas, finalmente iniciei esta leitura, e eis que algo interessante aconteceu quando terminei: me rendi de maneira tão completa que ACEDE conquistou meu coração (tá, isso nem deve ser muito interessante, considerando o tanto de corações por aí que ACEDE conquistou e partiu, mas mesmo assim). Acompanhando a história desses dois adolescentes eu sorri, me emocionei, quis chorar, quis reclamar com qualquer um que pudesse mudar tudo o que estava lendo, sofri, me encantei e, ao final, me apaixonei. E não foi pouco. Me apaixonei muito, afinal, o livro merece todo o alarde que existe em torno dele. É lindo, é deprimente e é uma lição de vida muito grande.

Acredito que grande parte da minha paixão pela história deriva da narrativa doce, leve e simplesmente magnífica que encontrei na obra. Com uma doçura imensurável, a história de Hazel e Augustus vai se desenvolvendo sem que você perceba as páginas virando. Existe um tipo estranhamente cativante de mágica nas palavras usadas por John Green nesta obra. São as mesmas palavras que encontramos em qualquer outro livro, mas são organizadas de modo tão único e fascinante que é impossível resistir ao impulso de adentrar cada vez mais no mundo metafórico, nerd e infectado que se projeta em nossa mente.

Hazel e Augustus também contribuem muito para o livro ser lindo. Os dois enfrentam tudo de forma tão humana, cheia de determinação e com rompantes de desespero... Transformam coisas simples em momentos maravilhosos, são profundos, são "estranhos" (palavra usada pelos pais deles) e, acima de tudo, são amigos. Possuem tanta determinação que até me assustaram um pouco, eles se agarram aos seus sonhos de forma quase obsessiva, veem como necessidade aquilo que eu via como superficialidade (é, pois agora eu super vejo como necessidade algumas coisas, por exemplo, um bate-papo com algum autor mega favorito, porque eu tenho muitos autores mega favoritos) e apesar dos muitos obstáculos, eles não desistem. Os dois basicamente jogam na cara do leitor que eles, com todas as dificuldades causadas pela doença, não desistem e nós, muitas vezes sem todas essas complicações, desistimos no primeiro tropeço.

E antes que me perguntem, não, eu não chorei durante a leitura. Fiquei com os olhos marejados em um ou outro momento, mas não cheguei a derramar lágrimas pois não vi o livro como um drama gigante e sim como uma lição de vida. E logo que terminei de ler pensei que o final (a página final, na verdade) era muito vaga e fiquei brava. Comentei sobre isso com um amigo, escrevi no meu histórico de leitura no Skoob e tudo o mais, porém depois de um tempo absorvendo e analisando a história novamente, percebi que estava enganada e que o final foi perfeito e agora não mudaria nada nele. Então, é óbvio que eu recomendo esta leitura (se ainda existir quem não leu), pois é garantia de emoção e simplicidade. *-*
Passei a maior parte da minha vida tentando não chorar na frente das pessoas que me amavam, por isso sabia o que o Augustus estava fazendo. Você trinca os dentes. Você olha para cima. Você diz a si meso que se eles o virem chorando, aquilo vai magoá-los, e você não vai ser nada mais do que Uma Tristeza na vida deles. Você não deve se transformar numa mera tristeza, então não vai chorar, e você diz tudo isso para si mesmo enquanto olha para o teto. Aí engole em seco, mesmo que sua gargante não queria, olha para a pessoa que ama você e sorri. (Pág 194).

Autor: John Green.
Editora: Intrínseca.
História: 5/5.
Narrativa: 5/5.