quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A filha da minha mãe e eu.

Mais uma resenha nacional! *-*


Mariana, ou Nana, não sabia muito bem o motivo, mas não conseguia se aproximar da mãe Dona Helena, o que acabou fazendo com que se tornasse mais próxima ao pai, Tito... Distanciando ainda mais a insegura relação existente entre ambas.
Ela cresceu vendo sua mãe dando mais atenção, amor e carinho para Gustavo, seu irmão mais velho e afastando Nana, por diversos motivos, o que a fez acreditar que a mãe não a amava tanto, apesar de saber que ela virava uma leoa quando era necessário, para defender os filhos em igual.
Porém, o igual era assim: "Os dois filhos são iguais, mas um é mais igual do que o outro..."
E quando ela descobre que está grávida, decide que antes de se tornar mãe, precisa entender verdadeiramente quem era a sua mãe, com todos os medos, sonhos, frustrações.
E a partir daí, as lembranças de sua vida começam a aparecer em sua memória... Momentos de dor, rejeição, demonstrações de afetos, incompreensão, insegurança...

Pelo título do livro, sempre imaginei que fosse algo como uma auto-ajuda, mas me surpreendi muito durante a leitura, pois pode sim te ajudar de alguma forma, mas não com a intenção de ser auto-ajuda, não existem dicas a serem seguidas, ações a serem evitadas ou coisas assim. O livro pode te ajudar da mesma maneira que qualquer outro livro de ficção sempre deixa alguma marca em nós, nos ensina algo, mesmo sem intenção. A narrativa é feita de forma muito real, me senti como uma verdadeira expectadora, mas dentro do livro. Acompanhando cada passo dos personagens como uma sombra, para que nada passasse despercebido.

A emoção foi o que mais me chamou a atenção. Passei a leitura toda com os olhos marejados ou até mesmo arrepiada com algumas passagens... O sentimento é extremamente evidente, e não sei se vocês sabem, mas para mim quanto mais emoções, melhor. O sentimento que nutri durante toda a história foi de conflito. No começo do livro, detestava alguns personagens e amava outros, mas durante a leitura, minha opinião foi mudando e quando terminei percebi que amei e odiei todos por igual.

Sofri e sorri com Nana, Gustavo, Helena, Tito e com os personagens secundários também... E ao final, senti que uma parte de mim ficou no livro, e uma parte dele, ficou em mim, e isso foi o mais mágico. Um dos melhores livros que já li, não consigo explicar exatamente como foi a leitura, só posso dizer que é um livro forte e real.

As imperfeições de todos os personagens e as cenas são comuns, coisas que qualquer um está sujeito e que provavelmente não saberia como reagir diante da situação imposta pela autora, que leva tudo com uma narrativa cadenciada que te deixa ansiando por mais...
Com o tempo, percebi que se minha mãe era a melhor mãe do mundo, às vezes, era a pior também. Não sei por que, mas, com ela, sempre tive um sentimento do dúvida. Durante quase uma semana ela ficou sem falar direito comigo e encheu meu irmão de mimos. Aquilo me doía, mas eu tinha meu pai para me apoiar e, de alguma maneiro, isso me dava forças para ignorar todo o resto. Inclusive ela. (Pág 14).
Editora: Novo Conceito.
História: 5/5.
Narrativa: 5/5.